O trocadilho é infame, mas a notícia é ainda mais. O pior é que não é nenhuma novidade um parlamentar se mandar já na quinta-feira. Só que nesse caso, o dito parlamentar não é qualquer parlamentar, e sim Romário, conhecido, entre outras muitas coisas, por levar a seleção nas costas durante a Copa de 94, e parece que isso lhe dá uma espécie de green card.
Está lá, no Extra Online, não exatamente com as palavras que seguem, mas está aí para quem quiser ler: Romário dá presença no plenário da Câmara Federal e rala peito logo em seguida para bater uma bolinha, no caso, uma partida de futevôlei, na praia da Barra da Tijuca, reduto da nova elite carioca, jogadores de futebol, shopping centers, condomínios fechados e de gente que sonha em mora lá quando tiver um dinheirinho para isso.
Na boa, poderíamos esperar outra coisa? Não, claro. Então, por que o espanto? Por que a revolta? Se é que isso gerou algum tipo de sentimento que valha. Não, nada de dizer que o brasileiro vota errado, isso já virou “lugar comum”. Eu quero novidade. Para esclarecer, não é por ser ele quem é, e sim porque todas as pessoas públicas que rumam a cargos políticos Brasil afora se valem mais de sua imagem do que propriamente por suas propostas. É bom dizer que fenômenos midiáticos que se tornam políticos é uma exclusividade do mundo todo. A questão é qual o papel que elas propõem desempenhar? “Parafraseando” Tiririca: “quando eu chegar lá eu vou te dizer”. Que merda, que triste, que sacanagem.
Ok, vou trabalhar em favor do esporte e da educação, é o que todos dizem, mas eu quero saber, como?
Essas pessoas deveriam pensar mais no que fazem a partir de agora. Ainda mais elas já que tem sua origem na pobreza. Estas pessoas são um extrato da nossa sociedade que só se deram bem na vida, só chegaram aonde chegaram por suas habilidades naturais (não vamos nos esquecer da sorte, porque devem existir mil Romários e Bebetos no país da bola), e não por terem estudado e lutado para disputar uma vaga num mercado de trabalho cada vez mais cruel e mal remunerado. Se o menino de um condomínio da Barra da Tijuca, onde o nosso deputado mora, tem que dar uma remada para passar na faculdade pública, o menino da favela do Jacarezinho, onde o nosso deputado passou parte de sua vida nos tempos em que a vaca era realmente muito magra, tem que dar umas cinqüenta, e para dar cinqüenta remada haja persistência.
Mas acho que com tanta corrupção e tanta impunidade, os exames de consciência foram pro caralho.
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