Eu odeio fila. É um mal crônico. Não meu, claro, mas de todas as coisas que formam filas. Odiar filas é algo completamente aceitável e compreensivo, pra mim e muita gente, e atualmente é uma das poucas coisas que podemos dizer abertamente sem que sejamos perseguidos pelos olhares politicamente corretos – a não que você queira furar a porra da fila.
Eu odeio filas. Quem não as odeia? Existe fila para tudo! São tantas que possuem nome e adquirirem status de 3ª pessoa, “nossa, como a fila cresceu!”, “uma fila enorme, fazia curva e tudo”.
Não há como fugir, nossa vida é feita de filas. O sujeito sai pra trabalhar e encara o trânsito que é feito de filas de carros, ônibus e caminhões (exceto as motos, veículos abençoados, não enfrentam a fila, vão pelo corredor mesmo), e se ele depende de transporte público antes das do tráfego vai encarar a do ponto de ônibus que leva a outra: a pra subir ao veículo; e nem posso esquecer da fila de vendedores ambulantes no congestionamentos nas avenidas e estradas. Voltando: quando chega ao edifício onde trabalha, uma construção no centro, dos anos 50, a fila dos elevadores está lá, e quem não trabalha aí, vai encarar a da identificação; a hora do almoço é um momento de muitas filas nos restaurantes, se este for os de comida “a quilo”, há duas: a pra encher o prato e a pra pagar, e não se sabe qual das duas é a pior, porque se na primeira sempre há alguém que demora anos pra decidir se coloca ou não a cenoura no prato (essa eu não respeito, furo!), na outra, a máquina eletrônica pra pagar com cartão sempre dá uma pane. Depois de comer, pode-se ir ao banco, o melhor lugar que representa o significado de estar numa fila. Hoje, são filas porque há a dos caixas humano e eletrônico, e claro, se o segurança barrar ninguém na porta giratória haverá uma terceira, pra entrar – e pensar que toda tecnologia que os bancos adoram falar e cobrar em suas taxas de serviços foi pensada pra acabar com a fila.
Filas não respeitam cor, religião, condição social nem a calçada para os demais passarem. Quem tem grana, não enfrenta fila, quem tem amigo bom, tampouco. Fila é para muitos, e não para poucos. É uma desgraça apoiada pelo desejo de impor ordenar as coisas, pela civilidade. Mas nem tudo é desgraça, numa fila pode haver alguém interessante. Conheci um cara que paquerava onde fosse, e, segundo ele, filas são perfeitas. Mesmo assim: eu odeio fila.
domingo, 3 de julho de 2011
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